
Pacientes que dependem de tratamentos de alta complexidade, especialmente em casos oncológicos, frequentemente enfrentam obstáculos para obter acesso a exames, cirurgias e medicamentos prescritos por seus médicos. Entre os principais problemas relatados estão negativas de cobertura por planos de saúde, demora na autorização de procedimentos e restrições ao fornecimento de medicamentos de alto custo.
Em doenças que exigem rapidez na tomada de decisões, atrasos podem comprometer o início ou a continuidade do tratamento, gerando insegurança para pacientes e familiares.
Barreiras que vão além da doença
Entre as situações mais recorrentes estão a negativa de exames essenciais para diagnóstico e acompanhamento clínico, a demora na liberação de cirurgias e as restrições relacionadas a medicamentos de última geração, incluindo terapias utilizadas no tratamento de diferentes tipos de câncer.
A advogada Pollyani Lemes Maluf, especialista em Direito Médico e da Saúde, afirma que muitos pacientes desconhecem os direitos que possuem diante dessas situações.
“Meu trabalho tem por base a prescrição médica. O objetivo é garantir que o paciente tenha acesso ao tratamento devidamente indicado pelo profissional responsável pelo seu acompanhamento.”

Segundo a especialista, justificativas frequentemente utilizadas por operadoras, como a alegação de que determinado procedimento não está previsto no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), não encerram automaticamente a discussão sobre a cobertura, já que cada caso possui características próprias que devem ser analisadas individualmente.
O que diz a legislação
O acesso à saúde é um direito garantido pela Constituição Federal, e discussões envolvendo cobertura de tratamentos, fornecimento de medicamentos e autorização de procedimentos são frequentemente analisadas pelo Poder Judiciário.
Mesmo diante das recorrentes negativas dos planos de saúde, os tribunais brasileiros têm se posicionado de forma clara e favorável aos pacientes oncológicos. A jurisprudência já é consolidada: negar cobertura para tratamentos contra o câncer com indicação médica é ilegal. Cada vez mais, decisões judiciais obrigam as operadoras a custear medicamentos, procedimentos e terapias essenciais, muitas vezes por meio de liminares concedidas em caráter de urgência.
Nesses casos, decisões costumam levar em consideração fatores como a prescrição médica, a urgência do tratamento, as evidências científicas disponíveis e a legislação aplicável.
Para especialistas da área, garantir o acesso ao tratamento adequado no momento oportuno é um dos fatores mais importantes para a preservação da qualidade de vida e para a busca dos melhores resultados clínicos possíveis.
Informação também faz parte do tratamento
De acordo com Pollyani Lemes Maluf, pacientes oncológicos e seus familiares já enfrentam desafios físicos, emocionais e financeiros significativos, tornando ainda mais delicadas as situações em que o tratamento encontra barreiras burocráticas.
“Quem enfrenta o câncer já tem batalhas demais. O papel do Direito é garantir que a lei seja um suporte ao paciente, e não mais um obstáculo em sua jornada de tratamento.”
A especialista ressalta que a informação sobre direitos relacionados ao acesso à saúde pode ser um instrumento importante para que pacientes compreendam quais caminhos estão disponíveis diante de negativas ou atrasos que possam comprometer o tratamento prescrito.