
A inflação dos alimentos pode se intensificar nos próximos meses e continuar pressionando os consumidores em 2027. Reportagem publicada pela Reuters nesta segunda-feira (19) aponta que conflitos internacionais, dificuldades no transporte marítimo, fertilizantes mais caros e secas associadas ao El Niño estão comprometendo a oferta mundial. A perspectiva é de maior pressão especialmente sobre famílias de baixa renda, que destinam uma parcela maior do orçamento à alimentação.
Os dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que os preços internacionais já avançaram. O índice da entidade atingiu 136 pontos em setembro, alta de 1,5% em relação a agosto e de 5,8% na comparação com setembro de 2025. O levantamento foi divulgado em 2 de outubro.
Entre os grupos pesquisados, o açúcar subiu 6,1% no mês, enquanto os cereais avançaram 5,1%. O trigo registrou aumento de 6,3%, influenciado por dificuldades logísticas na região do Mar Negro e condições climáticas desfavoráveis em áreas produtoras. As cotações do milho cresceram 5,6%.
O movimento, porém, não foi uniforme. Enquanto cereais, açúcar e óleos vegetais ficaram mais caros, o índice das carnes recuou 1,1% e o dos lácteos teve pequena queda de 0,1%. Apesar da alta recente, o indicador geral permaneceu 15,1% abaixo do pico registrado em março de 2022.
O índice da FAO acompanha matérias-primas negociadas internacionalmente e não mede diretamente os preços nas prateleiras brasileiras. Os percentuais, portanto, não representam uma alta equivalente nos supermercados de Ponta Grossa. Para dimensionar o impacto no município, é necessário acompanhar pesquisas locais de preços e os custos informados pelo comércio.