
O agravamento da crise financeira forçou o Grupo Casas Bahia a dar um passo drástico para evitar a falência. Na noite deste domingo (16), a companhia anunciou que protocolou um pedido de recuperação judicial no Foro Central Cível de São Paulo. O objetivo do mecanismo legal é proteger a empresa enquanto ela tenta renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas.
A medida foi oficializada poucos dias após a varejista iniciar o fechamento abrupto de 298 lojas em todo o Brasil incluindo a unidade da Avenida Vicente Machado, no Centro de Ponta Grossa, que encerrou as atividades de surpresa na última sexta-feira (14), resultando na demissão de dezenas de funcionários.
Apesar do pedido de socorro à Justiça, o Grupo Casas Bahia garantiu, em comunicado ao mercado, que continuará operando normalmente. A intenção é manter o funcionamento das lojas físicas remanescentes, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda sem interrupções para os consumidores.
O pedido de recuperação abrange a própria Casas Bahia e outras nove subsidiárias do grupo, como a ASAP Log, Cnova Comércio Eletrônico e a Indústria de Móveis Bartira. Por ter sido protocolado em caráter de urgência, o documento ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em uma Assembleia Geral Extraordinária.
Prejuízo bilionário e tentativas frustradas
A decisão da Justiça ocorre logo após a empresa divulgar um balanço financeiro assustador referente ao segundo trimestre de 2026. A companhia registrou um prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho. Grande parte desse valor (R$ 9,1 bilhões) corresponde a ajustes contábeis extraordinários, reavaliação de ativos e despesas ligadas ao atual plano de reestruturação.
A Casas Bahia já havia passado por uma recuperação extrajudicial em 2024, quando renegociou R$ 4,1 bilhões. A expectativa era de que a economia reagisse, mas, segundo a empresa, o cenário continuou se deteriorando com juros elevados, restrição de crédito ao consumidor e aumento dos custos operacionais.
A varejista revelou ainda que tentou realizar captações de recursos no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, incluindo uma negociação de grande porte com investidores internacionais. No entanto, a desistência de um investidor âncora e a frustração na busca por novas linhas de crédito tornaram a recuperação judicial a única saída para preservar as atividades empresariais.
Junto ao anúncio financeiro, a Casas Bahia também confirmou mudanças em sua alta administração, incluindo a saída do vice-presidente Jurídico e Tributário, Fábio Spina, que será substituído por Sírley Lima, executiva com mais de 20 anos de experiência no mercado.