Estamos desperdiçando Endrick? O Brasil repete um erro que já custou uma Copa

Atacante já decidiu contra gigantes como Inglaterra e Espanha, cresce na Europa e segue tratado como promessa, enquanto outras seleções colocam seus talentos para jogar agora.

Eu não gosto dessa mentalidade de tratar o Endrick como “o futuro” da Seleção Brasileira. Para mim, isso já ficou para trás. Endrick já provou que é presente.

O que incomoda é ver um talento desse tamanho sendo mantido em segundo plano, como se ainda precisasse mostrar algo que já mostrou. Com a camisa da Seleção, ele já decidiu em palco grande. Em março de 2024, fez o gol da vitória contra a Inglaterra em Wembley e depois também marcou no empate em 3 a 3 com a Espanha. Não é pouca coisa. Estamos falando de um jogador que já respondeu contra seleções pesadas e em cenário de pressão. 

Foto: Rafael Ribeiro/ CBF

Agora, mais uma vez, a sensação é de que o Brasil está adiando um talento raro. Enquanto isso, outras seleções não ficam esperando. Espanha usa Yamal e Cubarsí. Turquia aproveita Arda Güler e Kenan Yildiz. Argentina já abriu espaço para Nico Paz. Portugal acelera João Neves. Em muitos lugares, o jovem bom joga. Aqui, muitas vezes, o jovem excepcional precisa esperar demais. Isso já aconteceu antes. Neymar e Ganso, em 2010, também eram tratados como “futuro”, e o Brasil desperdiçou a chance de ver aquela dupla em Copa no auge da explosão.

A fala do Carlo Ancelotti reforça justamente esse debate. Ao comentar o Endrick, ele destacou a evolução tática do atacante, disse que ele hoje atua mais aberto e ajuda mais defensivamente, mas ainda o classificou como “o futuro da Seleção”. O problema é exatamente esse: insistir nesse rótulo quando o jogador já entregou sinais suficientes de que pode contribuir agora. 


E os números recentes ajudam a sustentar esse argumento. Desde que chegou ao Lyon por empréstimo, Endrick retomou espaço e soma 6 gols em 14 jogos pelo clube francês, com impacto direto no setor ofensivo. Em janeiro, inclusive, marcou um hat-trick contra o Metz e se tornou o brasileiro mais jovem a fazer três gols em um jogo nas cinco grandes ligas europeias desde 1992/93. Pela Seleção principal no ciclo até aqui, ele tem 14 jogos e 3 gols, sendo o centroavante com mais gols do Brasil nesse período.

Por isso, eu queria muito ver Endrick em campo no amistoso desta terça-feira contra a Croácia, em Orlando. Porque ele tem personalidade, força física, explosão e uma característica que vale ouro em torneio grande: não sente o peso da camisa. E Copa do Mundo não é lugar só para experiência. Também é lugar para coragem, fome e jogador que entra para resolver. França fez isso com Mbappé aos 18. A Espanha viu Yamal explodir muito cedo. O Brasil não pode olhar para a sua maior joia e continuar agindo como se ainda fosse cedo.


Com Endrick, a discussão já não deveria ser sobre futuro. Deveria ser sobre minutagem, sequência e protagonismo. Porque talento adormecido também é responsabilidade de quem escolhe não usar.

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