Novo acervo de fósseis fortalece a UEPG como referência na pesquisa paleontológica

O acervo com mais de 2.600 amostras de fósseis e resultado de um trabalho de salvamento paleontológico realizado durante a construção de uma linha de transmissão de energia entre Ponta Grossa e Assis (SP), e passou a integrar as coleções científicas da Universidade Estadual de Ponta Grossa
Foto: Gabriel Spenassato/UEPG.

Um acervo com mais de 2.600 amostras de fósseis, resultado de um trabalho de salvamento paleontológico realizado durante a construção de uma linha de transmissão de energia entre Ponta Grossa e Assis (SP), passou a integrar as coleções científicas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Parte desse material foi apresentada ao público em uma palestra de divulgação científica promovida na semana passada pela MRS Ambiental – empresa responsável pelo salvamento – no auditório do Museu de Ciências Naturais (MCN) da Universidade.

O paleontólogo que coordenou o salvamento, Henrique Zimmermann Tomassi, detalhou os trabalhos de escavação e falou sobre a importância dos achados para contar a história de quando a região estava coberta pelo mar. 

“A própria rocha mostra essas características. Daí vem a dedução que a região de Ponta Grossa, há 400 milhões de anos, 390 milhões de anos atrás, era fundo de mar. Baseado nos fósseis e na própria rocha”, disse.

Tomassi explica que o acervo é composto por fósseis dos períodos Devoniano, Permiano e Carbonífero. A maior parte das amostras traz fósseis de vida marinha, especialmente invertebrados (algas, moluscos, vermes), mas também foram encontrados alguns registros fósseis de peixes. Em alguns pontos, como na região de Ibaiti, foram coletados fósseis de água doce, especialmente algas.

“A região de Ponta Grossa é muito rica em fósseis, mas quase ninguém vê. Ou por falta de atenção ou porque não sabem de fato como identificar os fósseis. Normalmente, quando um leigo encontra um fóssil é porque é alguma coisa grande e muito evidente, um dente grande, um osso grande, alguma coisa assim, ou uma folha de planta maior”, comentou.

Agora, o material será catalogado pela equipe do Laboratório de Estratigrafia e Paleontologia da UEPG. “O trabalho é laboratorial: ele terá que ser tarjado, numerado, tombado no livro e acondicionado no depósito. E, posteriormente, ficará à disposição da comunidade científica”, explicou o coordenador do laboratório, professor Elvio Bosetti. 

Amostras que se destacarem pela beleza e raridade, segundo ele, poderão ser destinadas ao MCN para exibição ao público e atividades de divulgação científica.  

O atual acervo da UEPG é composto por aproximadamente 35 mil amostras (24 mil já tombadas) e cada uma pode conter um ou mais registros fósseis. Em uma única amostra, por exemplo, foram identificados 1,4 mil fósseis.

Agência Estadual de Notícias

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