
Uma proposta apresentada durante a Audiência Pública nº 11/2026 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) busca viabilizar a recuperação de um trecho ferroviário entre Ponta Grossa, Carambeí e Castro, nos Campos Gerais. A iniciativa prevê estudos técnicos para permitir futuramente a circulação de trens regionais de passageiros e a implantação de atividades turísticas.
As sugestões foram encaminhadas ao Ministério dos Transportes e estão relacionadas à futura concessão da Malha Sul. Os documentos foram registrados sob os números AP112026-147 e AP112026-148 e propõem a inclusão de obrigações específicas no edital da nova concessão ferroviária.
A proposta busca aproveitar uma estrutura ferroviária existente, atualmente considerada ociosa ou desativada, para ampliar as possibilidades de mobilidade regional, fortalecer o turismo e contribuir para a preservação do patrimônio histórico dos Campos Gerais.
Projeto prevê estudos técnicos em até 24 meses
De acordo com os documentos, a futura concessionária responsável pelo trecho teria a obrigação de oferecer apoio técnico e institucional para viabilizar a recuperação da ferrovia entre os três municípios.
Entre as responsabilidades propostas estão a elaboração de projetos básicos e executivos, estudos de segurança operacional e planejamento das adequações necessárias nos trilhos, nas edificações e nos sistemas de sinalização.
O prazo sugerido para a entrega desses estudos é de até 24 meses após a empresa assumir a concessão. O texto prevê que esse trabalho seja realizado sem custos adicionais para o governo concedente ou para as administrações municipais.
A concessionária também deveria prestar assessoria técnica aos municípios envolvidos, consórcios intermunicipais ou entidades que futuramente assumissem a operação dos trens de passageiros.
Outra medida prevista é a criação de instrumentos de cooperação para permitir o compartilhamento ou a utilização da infraestrutura ferroviária, respeitando as exigências de segurança e as operações de transporte de cargas.
Turismo ferroviário também está nos planos
Além do transporte regional de passageiros, a proposta contempla a possibilidade de implantação de atividades de turismo ferroviário.
Entre as alternativas mencionadas estão passeios de trem, experiências culturais e operações do tipo railbike, modalidade de passeio realizada sobre os trilhos com equipamentos adaptados.
A justificativa apresentada destaca o potencial histórico, cultural e turístico de Ponta Grossa, Carambeí e Castro. A eventual recuperação do trecho poderia permitir a criação de roteiros integrados, conectando atrativos da região e ampliando as possibilidades de visitação.
O projeto também busca preservar a infraestrutura ferroviária existente, evitando a deterioração de estruturas que atualmente não são utilizadas ou apresentam baixa movimentação.
Quem pagaria pela recuperação da ferrovia?
Um dos pontos centrais da proposta é a divisão entre os custos de planejamento e os investimentos necessários para colocar os trens em funcionamento.
Pelo modelo sugerido, a concessionária ficaria responsável principalmente pela elaboração dos projetos de engenharia, estudos técnicos, assessoria e cooperação institucional.
Já os recursos para recuperar fisicamente os trilhos, adquirir locomotivas e vagões e manter a operação dos serviços de passageiros dependeriam de outras fontes de financiamento.
O documento menciona a possibilidade de utilização de recursos do Governo do Paraná, consórcios intermunicipais, orçamento federal, emendas parlamentares e investimentos privados relacionados ao turismo.
A intenção é permitir o aproveitamento turístico da ferrovia sem transferir à concessionária responsável pelo transporte de cargas a obrigação de custear diretamente todas as obras e os equipamentos necessários ao novo serviço.
Ministério dos Transportes analisa as contribuições
A discussão faz parte da Audiência Pública nº 11/2026, que reúne contribuições para aprimorar os estudos da futura concessão ferroviária dos corredores Mercosul, Rio Grande e Paraná–Santa Catarina.
No dia 3 de novembro de 2026, a Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário, vinculada ao Ministério dos Transportes, encaminhou o processo ao Departamento de Obras e Projetos para avaliação e adoção das providências consideradas cabíveis.
O despacho nº 1542/2026/SNTF estabelece o dia 26 de novembro como prazo para a resposta interna do departamento. Já a ANTT solicitou o encaminhamento dos subsídios até 30 de novembro.
É importante destacar que a reativação da ferrovia entre Ponta Grossa, Carambeí e Castro ainda não foi aprovada. As contribuições representam sugestões apresentadas ao processo regulatório e dependem de análise técnica e eventual incorporação aos documentos definitivos da concessão.
Até o momento, não há definição sobre o início das obras, os valores necessários para a recuperação da estrutura ou uma previsão para a operação dos trens de passageiros.
Mesmo sem uma decisão definitiva, a proposta coloca novamente em discussão o aproveitamento das ferrovias para o transporte regional e o turismo, abrindo espaço para debater o potencial dessa estrutura no desenvolvimento dos Campos Gerais.
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