
Em setembro, Ponta Grossa anunciou o TRILHAR, um programa criado para ajudar empreendedores a transformar ideias em startups. A proposta é acompanhar o desenvolvimento de um negócio desde a identificação de um problema até os testes da solução e sua entrada no mercado.
Mas existe uma pergunta que vai além da criação de novas empresas: será que sabemos testar uma ideia antes de nos apaixonarmos por ela?
É essa a provocação do novo episódio da Neurocidade, coluna do portal Em PG é Assim que conecta acontecimentos de Ponta Grossa e dos Campos Gerais à ciência do comportamento humano.
Quando a ideia é nossa
Sabe aquela ideia que parece genial e que ninguém consegue tirar da cabeça?
Quando uma ideia é nossa, pode ser mais fácil encontrar razões para acreditar nela do que procurar sinais de que talvez estejamos enganados. Um fenômeno conhecido como viés de confirmação ajuda a explicar essa tendência: damos mais atenção às informações que combinam com aquilo em que já acreditamos.
Imagine alguém criando um aplicativo, mostrando a ideia aos amigos e recebendo elogios. A pessoa investe tempo, dinheiro e energia. Só depois percebe que quase ninguém precisava daquela solução.
O risco é se apaixonar pela resposta antes de descobrir se o problema realmente existe.
Da startup à vida na cidade
A mesma lógica pode ser observada em projetos urbanos. Uma praça pode ter um projeto bonito e uma inauguração movimentada, mas depois ficar vazia. Talvez falte sombra, os bancos estejam mal posicionados ou o espaço não corresponda ao modo como as pessoas gostariam de usá-lo.
Uma solução pode funcionar no papel e não funcionar na vida real. Por isso, testar, observar e ouvir quem será impactado pode ajudar a identificar problemas antes que uma escolha se torne difícil de mudar.
Essa é uma provocação que também pode ser aplicada às políticas públicas: começar em pequena escala quando for possível, acompanhar os resultados e corrigir o que não funciona. Sempre com segurança, transparência e responsabilidade com o dinheiro público. Moradores não devem ser tratados como cobaias, mas projetos também não precisam ser vistos como verdades imunes a questionamentos.
Vale esclarecer: o TRILHAR foi anunciado para apoiar empreendedores. A ideia de levar essa mentalidade de testes para as políticas públicas é uma reflexão proposta pela Neurocidade, não uma finalidade já demonstrada do programa.
Inovar também é mudar de ideia
Será que estamos criando soluções para os problemas da cidade ou procurando problemas que justifiquem soluções que já escolhemos?
Inovar não é apenas ter novas ideias. Também é aprender a testá-las e ter disposição para mudar de caminho quando os resultados mostram que é necessário.
Uma cidade inteligente não é aquela que nunca erra. É aquela que consegue aprender com os erros, em vez de insistir neles só porque já investiu recursos.
Assista ao novo episódio da Neurocidade, no Em PG é Assim, e pense: como podemos descobrir se uma ideia realmente funciona antes de apostar tudo nela?
Esta é a Neurocidade. Depois que você entende, não dá pra desver.