
Ponta Grossa tem uma boa notícia para comemorar na área da saúde. Segundo dados divulgados em 16 de outubro, o município registrou 40 casos confirmados de dengue em 2026 até aquele momento, diante dos 1.001 contabilizados ao longo de 2025. A redução é de aproximadamente 96%, conforme os dados do boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
A diferença é expressiva, embora a comparação envolva um ano completo e outro ainda em andamento.
Mas existe uma pergunta que talvez pouca gente tenha feito diante dessa notícia: será que estamos tão tranquilos com a dengue que podemos acabar esquecendo justamente aquilo que ajuda a preveni-la?
É essa a provocação do novo episódio da Neurocidade, coluna do portal Em PG é Assim que conecta acontecimentos de Ponta Grossa e dos Campos Gerais à ciência do comportamento humano.
Quando uma boa notícia pode esconder uma armadilha
Pense em uma situação simples.
Quando os casos de dengue aumentam, o assunto aparece nas manchetes, nas conversas entre vizinhos e nos grupos de WhatsApp. Todo mundo lembra do mosquito, da água parada e dos cuidados necessários.
Mas o que acontece quando as notícias sobre a doença praticamente desaparecem?
Nosso cérebro não avalia os riscos apenas por meio de números. A frequência com que encontramos determinadas informações, nossas experiências e aquilo de que conseguimos nos lembrar também influenciam nossa percepção de perigo.
Quanto menos um problema aparece no cotidiano, menos urgente ele pode parecer.
E aí surge o paradoxo: justamente quando os indicadores melhoram, algumas pessoas podem sentir menos necessidade de manter os cuidados.
O mosquito não acompanha as estatísticas
A redução dos casos é importante e merece reconhecimento. Ponta Grossa desenvolve ações de vigilância, visitas domiciliares e fiscalização para combater o Aedes aegypti.
Mas é preciso lembrar que a dinâmica da dengue também depende de fatores como clima, circulação dos vírus, imunidade da população e condições ambientais. Não é possível atribuir a queda a uma única medida sem uma avaliação específica.
E existe outro detalhe fundamental: menos casos registrados não significam que o mosquito desapareceu.
Eliminar recipientes com água parada, verificar calhas, caixas-d’água e outros possíveis criadouros continua sendo importante, mesmo quando a doença deixa de ocupar as manchetes.
Afinal, a prevenção tem uma característica interessante: quando funciona, boa parte do seu resultado é justamente aquilo que não aconteceu.
Uma pergunta que vai além da dengue
No novo vídeo da Neurocidade, a reflexão ultrapassa a saúde pública e chega a um comportamento bastante humano: nossa dificuldade de manter determinados cuidados quando já não percebemos uma ameaça tão próxima.
Isso acontece em diferentes situações da vida. Quando tudo parece estar funcionando, é fácil esquecer o trabalho necessário para manter as coisas assim.
Talvez o maior desafio da prevenção comece justamente quando os resultados melhoram: continuar fazendo o que é necessário para que o problema não volte.
E você? Continua tomando os mesmos cuidados contra a dengue ou também acaba relaxando quando os casos diminuem?
Assista ao novo episódio da Neurocidade, no Em PG é Assim, e descubra por que uma boa notícia pode revelar uma armadilha do nosso próprio comportamento.
Esta é a Neurocidade. Depois que você entende, não dá pra desver.