
A perícia da Polícia Científica identificou fenol nas roupas do piloto Gustavo Henrique Lara, que morreu após participar de um ritual de comemoração pelo primeiro voo solo em uma escola de aviação de Ponta Grossa. Segundo o laudo, as peças estavam completamente embebidas pela substância, e as lesões encontradas na necropsia são compatíveis com os efeitos da exposição ao produto.
Gustavo morreu no dia 16 de julho, após receber um “banho de óleo” durante a cerimônia. A prática é tradicional em algumas escolas de aviação e costuma marcar uma etapa importante na formação dos alunos, com a aplicação de óleo de motor de aeronave no corpo.
Após o contato com o produto, o piloto começou a passar mal, apresentou dificuldade para respirar, sofreu uma crise convulsiva e teve três paradas cardiorrespiratórias.
O laudo aponta como causa da morte uma asfixia mecânica provocada por edema das vias aéreas após exposição química. O documento também registra queimaduras químicas no rosto, nas coxas e no abdômen.
O fenol é uma substância química tóxica e corrosiva, utilizada, entre outras aplicações, na fabricação de plásticos, resinas e medicamentos. O contato pode provocar intoxicação e queimaduras químicas.
A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) deve concluir o inquérito nesta segunda-feira (21). A investigação busca esclarecer as circunstâncias da cerimônia e verificar se houve crime.
Entre os pontos que ainda precisam ser esclarecidos estão a origem do fenol encontrado nas roupas, quem colocou a substância no corpo de Gustavo e por que o líquido presente em uma garrafa analisada apresenta composição diferente do material que entrou em contato com o piloto.