
A Polícia Civil do Paraná (PCPR), por meio do 2º Distrito Policial de Ponta Grossa, concluiu uma investigação sobre suspeitas de fraude em benefícios assistenciais vinculados ao programa municipal PG+Humana.
Segundo a PCPR, uma servidora pública municipal, de 37 anos, e o companheiro dela, de 38, foram indiciados pelos crimes de peculato-desvio e inserção de dados falsos em sistema de informações.
De acordo com a investigação, o prejuízo apontado aos cofres públicos é de R$ 22.000,21. A Polícia Civil afirma que o valor corresponde a aproximadamente 100 parcelas do benefício.
O PG+Humana é um programa municipal voltado a famílias em situação de vulnerabilidade e hipossuficiência econômica cadastradas no CadÚnico. O benefício prevê o repasse mensal de aproximadamente R$ 220 por família para a aquisição de alimentos, gêneros de primeira necessidade e outros itens essenciais.
Investigação aponta emissão irregular de cartões
Conforme a PCPR, a investigada trabalhava como educadora social em um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e possuía acesso restrito a sistemas administrativos.
A investigação aponta que, entre novembro de 2025 e julho de 2026, ela teria utilizado essas credenciais para emitir cartões do benefício em nome de moradores cadastrados sem o conhecimento deles e também de pessoas que já haviam falecido.
Ainda segundo a Polícia Civil, relatórios fictícios de atendimentos técnicos teriam sido inseridos nos sistemas para manter a liberação dos créditos e dificultar a fiscalização.
A PCPR afirma que, de posse dos cartões, a servidora e o companheiro realizavam compras em estabelecimentos credenciados. Segundo a investigação, entre os produtos adquiridos estavam mantimentos, itens de consumo pessoal e eletrodomésticos.
Celular e imagens de supermercados foram analisados
A Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG) teria identificado as irregularidades por meio de auditorias internas e cruzamento de dados. Segundo a PCPR, também foram colhidos depoimentos de beneficiários que teriam sido prejudicados.

A servidora foi afastada preventivamente das funções no CRAS. Posteriormente, a Justiça autorizou medidas cautelares de afastamento do cargo e busca e apreensão na residência do casal.
Durante o cumprimento do mandado, a Polícia Civil apreendeu o celular da investigada. Após autorização judicial, dados do aparelho foram extraídos e analisados pela perícia.
Segundo a PCPR, foram encontradas conversas entre os investigados pelo WhatsApp, além de fotografias de cartões sociais, consultas de saldo e mensagens relacionadas ao uso dos benefícios.

A investigação também analisou imagens de câmeras de segurança de supermercados. Conforme a Polícia Civil, os registros mostrariam o casal utilizando os cartões investigados em datas e horários compatíveis com transações registradas pelo sistema Viasoft Pay.
Investigados permaneceram em silêncio
Os dois investigados foram chamados para prestar depoimento na delegacia. Segundo a PCPR, ambos optaram por exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio durante os interrogatórios.
Ao final da investigação, o procedimento policial foi relatado e encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público do Paraná para conhecimento e adoção das medidas cabíveis.
O indiciamento representa a conclusão da investigação policial sobre a participação dos envolvidos e não equivale a uma condenação. Eventuais responsabilidades serão analisadas no âmbito judicial.
