
A Polícia Civil do Paraná (PCPR), através do Setor de Crimes de Trânsito da 13ª Subdivisão Policial (SDP) de Ponta Grossa, concluiu as investigações sobre um trágico acidente que tirou a vida de Tommy Rodrigues Beva, de 36 anos. O crime de trânsito ocorreu no dia 20 de março deste ano, no km 164 da rodovia PR-151.
Na ocasião, a vítima trafegava com sua motocicleta e estava cruzando por um controlador de velocidade quando foi violentamente atingida na traseira por um caminhão-trator Volvo. Com a força do impacto, o motociclista sofreu politraumatismos e morreu ainda no local.
Velocidade extrema e fraude
O laudo pericial trouxe detalhes assustadores sobre a dinâmica da batida. As marcas de frenagem do caminhão se estenderam por aproximadamente 185 metros no asfalto. A análise apontou que o veículo pesado trafegava a uma velocidade mínima de 148,2 km/h no momento em que os freios foram acionados. O detalhe agravante é que a velocidade máxima permitida naquele trecho era de apenas 60 km/h.

Além do excesso de velocidade, a perícia descobriu que o disco do tacógrafo do caminhão não registrou a movimentação do veículo durante o período do acidente. As provas indicaram que o equipamento foi adulterado propositalmente pelo condutor com o objetivo de dificultar a apuração dos fatos.
Indiciamento e andamento do caso
Diante de todas as circunstâncias, a Polícia Civil concluiu que o motorista de 56 anos não cometeu apenas uma imprudência, mas assumiu o risco de matar. Ele foi indiciado por homicídio qualificado e pelo crime de inovação artificiosa (fraude), previsto no Código de Trânsito Brasileiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.
Durante o processo, o delegado responsável pelo caso representou pela prisão preventiva do motorista ou, pelo menos, pela utilização de tornozeleira eletrônica. No entanto, os pedidos cautelares foram negados pelo Poder Judiciário. Com o inquérito encerrado, o caso agora está nas mãos do Ministério Público.
O delegado Maurício Souza da Luz, responsável pelo Setor de Crimes de Trânsito, destacou a seriedade do trabalho. “A condução de um veículo de carga a quase 150 km/h e a tentativa de fraudar a fiscalização demonstram total desprezo pela vida humana e pela Justiça. Uma investigação técnica e responsável é essencial para garantir justiça às vítimas e seus familiares”, concluiu.