
Um gravíssimo caso de violência doméstica e cárcere privado mobilizou as forças de segurança e assistência social de Ponta Grossa na sexta-feira (14). A Guarda Civil Municipal (GCM) prendeu um homem suspeito de agredir e manter a esposa e os filhos reféns dentro da própria casa, no bairro Chapada. A ação brilhante e coordenada envolveu a Patrulha Maria da Penha (PMP) e o Grupamento de Ações Táticas (GAT).
O pesadelo da família começou a chegar ao fim quando a vítima conseguiu sair e buscar amparo em um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município. Bastante abalada e apresentando lesões físicas decorrentes de agressões recentes, a mulher relatou aos profissionais que sofria violência constante há vários anos.
O relato mais estarrecedor foi sobre os últimos dias: a mulher, junto com sua filha adolescente de 16 anos e um bebê, permaneceu em situação de cárcere privado por três dias. Durante esse período, o marido retirou as chaves do imóvel e quebrou o celular da vítima de forma proposital, impedindo qualquer pedido de ajuda.
A armadilha na UPA e a prisão
Abalada e temendo pela vida da família, a vítima solicitou Medida Protetiva de Urgência e pediu escolta para retirar seus pertences da residência. Como o suspeito costumava ameaçá-la violentamente para evitar que denunciasse o caso, a equipe planejou uma ação segura.
A vítima telefonou para o agressor afirmando que estava passando mal em uma UPA da cidade, com o intuito de saber onde ele estava antes de ir à casa. Durante a ligação que foi acompanhada de perto pelos agentes da GCM, o homem demonstrou muita agressividade, perguntando insistentemente se ela havia contado sobre as agressões aos médicos.
Ao descobrir que o suspeito estava a caminho da UPA para “buscar” a esposa, a Patrulha Maria da Penha foi rapidamente até o local. As equipes chegaram a tempo e realizaram a abordagem no momento exato em que o agressor tentava embarcar em um veículo de aplicativo.
Com o suspeito detido, uma equipe do GAT foi mobilizada para garantir que a mulher e os filhos retirassem roupas e pertences pessoais da residência em total segurança. A filha adolescente confirmou às equipes todo o histórico de violência, ameaças e o cárcere imposto pelo pai.
Todos os envolvidos foram conduzidos à 13ª Subdivisão Policial (SDP), onde a vítima representou criminalmente contra o companheiro para a adoção das medidas judiciais cabíveis.
O portal Em PG é assim reforça que vítimas de violência doméstica podem denunciar agressores e pedir ajuda gratuitamente através dos telefones 153 (Guarda Municipal), 190 (Polícia Militar) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher).