Polícia Civil identifica novas vítimas de médico investigado por crimes sexuais em Irati

Relatos de outras duas mulheres, com casos em 2011 e 2016, reforçam a investigação e apontam possível repetição da conduta ao longo dos anos
Foto: PCPR/Reprodução

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) identificou e colheu depoimentos de duas novas vítimas em um inquérito que apura o crime de violação sexual mediante fraude, praticado por um médico ginecologista, de 81 anos, no município de Irati. Os novos depoimentos corroboram a investigação inicial e indicam um padrão de comportamento ao longo de décadas.

A investigação teve início em fevereiro de 2026, após uma mulher de 24 anos relatar ter sido vítima de abuso durante uma consulta ginecológica em um consórcio intermunicipal de saúde. Segundo o relato, o profissional teria usado a confiança no seu trabalho para cometer abusos, fingindo que eram procedimentos médicos.

Durante as investigações, a equipe da Polícia Civil do Paraná, por meio da 41ª Delegacia Regional de Polícia de Irati, encontrou outras duas mulheres que relataram casos parecidos, ocorridos em 2011 e 2016. Segundo a PCPR, após analisar essas situações, foi constatado que não é mais possível abrir processo nesses casos, porque o prazo para a vítima formalizar a denúncia já passou. Na época dos fatos, crimes contra a dignidade sexual dependiam da manifestação da vítima, que tinha até seis meses após descobrir quem era o autor para fazer a denúncia. Essa regra mudou com a Lei nº 13.718/2018, que alterou o artigo 225 do Código Penal. Desde então, esse tipo de crime passou a ser investigado independentemente da vontade da vítima.

Dessa forma, embora o tempo passado impeça a punição pelos casos de 2011 e 2016, esses depoimentos continuam sendo importantes para reforçar o relato da vítima atual. Eles ajudam a demonstrar que o comportamento pode ter sido recorrente e contribuem para fortalecer as provas necessárias para responsabilizar o investigado no caso mais recente.

“A convergência de detalhes nos relatos de vítimas que não possuem vínculo entre si é um elemento determinante. Isso demonstra que não se trata de um fato isolado, mas de uma conduta mantida por anos sob o manto da autoridade médica”, afirma o delegado Luis Henrique Dobrychtop.

Diante da gravidade dos fatos e do risco de novos casos, a Polícia Civil do Paraná indiciou o médico pelo crime previsto no artigo 215 do Código Penal Brasileiro e pediu à Justiça a suspensão do exercício da medicina. A medida busca evitar que o consultório continue sendo usado para a prática de crimes.

Orientação

A PCPR orienta que outras mulheres que tenham sido vítimas de condutas abusivas, praticadas pelo mesmo ou por outros profissionais, procurem a Delegacia de Irati para prestar depoimento. A colaboração é importante para esclarecer completamente os fatos e ajudar na proteção da população. As denúncias podem ser feitas pelos telefones 197 e 181, com garantia de sigilo.

Assessoria de Imprensa

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