
Sem filtro da arquibancada: o Neymar tem que ir pra Copa. E não é nem uma discussão tão complexa quanto estão tentando fazer parecer.
Falar de Neymar fora da Copa hoje é ignorar três coisas básicas: número, contexto e impacto real em jogo grande. E quando você coloca isso na mesa, a conversa muda completamente.
Vamos começar pelo que é mais objetivo. Neymar é o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, superando Pelé. São mais de 120 jogos e mais de 75 gols, fora assistências. Isso significa uma coisa simples: ele participa de gol praticamente em todo jogo. Não é opinião, é produção.
E não dá pra diminuir isso falando que é contra adversário fraco. Neymar já decidiu contra seleção grande, em jogo grande e com pressão real. Gol em Wembley contra a Inglaterra, atuação contra a Espanha e o gol contra a Croácia na Copa de 2022, naquele cenário onde o jogo pede alguém que não treme. Esse tipo de jogador não aparece toda hora.
Aí vem o argumento das lesões, que é justo, mas muitas vezes é usado de forma rasa. Sim, ele teve problemas sérios, principalmente no auge físico. Passou por lesões de tornozelo, pé e joelho, perdeu sequência e, no Paris Saint-Germain, ficou fora por mais de 100 jogos ao longo das temporadas. Isso impacta, claro que impacta.
Mas tem uma coisa que precisa ser dita com clareza: lesão não apaga genialidade. O Neymar saudável, mesmo que não esteja no pico de 2015, ainda é o jogador mais diferente do Brasil. E Copa do Mundo não é sobre regularidade de campeonato longo. É sobre quem resolve quando o jogo trava.
E tem um ponto que pouca gente está considerando de verdade: o Neymar muda o jogo mesmo quando não está jogando. Ele no banco já altera a leitura do adversário. Nenhuma comissão técnica ignora um jogador desse nível. Ele muda encaixe, muda marcação, muda comportamento defensivo. Ele incomoda antes mesmo de entrar.

Isso não é detalhe. Isso é vantagem competitiva.
Talvez o debate esteja sendo feito da forma errada. Não é sobre cravar o Neymar como titular absoluto. É sobre entender que ele precisa estar no grupo. Porque em Copa, você não leva só quem está no melhor momento físico. Você leva quem pode decidir um jogo específico.
O Brasil hoje tem bons jogadores, tem uma geração interessante, mas não tem outro Neymar. Não tem outro jogador com esse nível de improviso, de criatividade e de capacidade de decidir em um lance.
E Copa do Mundo, no fim das contas, é isso.
Se ele estiver minimamente competitivo, ele tem que ir. Nem que seja pra 30 minutos, nem que seja pra um lance, nem que seja pra resolver um jogo que ninguém mais consegue destravar.